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terça-feira, 26 de maio de 2026

Poema de Poucos Sons

Havia um passista
de um passo só.

Um musicista 
de uma nota dó.

Uma galinha
de apenas um có.

Um gato
que sabia o mi.

Um cachorro
que fazia "uau".

Um grilo chato
e muito cri-cri.

E enquanto eu termino esta rima
o passista continua lá em cima.

domingo, 24 de maio de 2026

Motivo

Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste: 
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias, 
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico.
se permaneço ou me desfaço
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo: 
— mais nada.

Autopsicografia

Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. 

E os que lêem o que escreve
Na dor lida sentem bem
Não as duas que ele teve
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Além das palavras

Eu a amo de tal modo
Que, ao escrever,
Procuro as mais belas palavras
Para expressar o que sinto.

Além das palavras,
Dou-te meu coração,
Minha poesia,
Minha canção.

E, na lembrança
do teu sorriso,
Eu me perco.

Na esperança do paraíso,
Nos teus braços me lanço
E descanso.

E, no fim de tudo,
Só resta o sentimento
Que, por ora,
Reina absoluto.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

A poesia que ama

Amo você
Não como o Sol
ama o mar
que depois de beijá-lo, se vai
Some por uma noite.

De certa forma, não a amo
Como a Lua ama...
Sazonal.

Eu a amo num tanto
Que se coubesse em poesia
Seria uma sucessão de versos sem fim.

E, como toda poesia,
Haveria de ter um ponto final
A poesia mais linda
também é finda
Mesmo que, sequer fosse lida.

domingo, 30 de novembro de 2025

O som do silêncio

A vida tem um som diferente
Quando tudo é silêncio.

No silêncio ouve-se tudo
O som da cidade
O sussurro da intimidade
Os sons típicos de uma noite.

No silêncio tudo para
Enquanto paira
a calmaria.

Então rompe o dia
Com seu brilho e fulgor
trazendo luz e calor.

A vida tem um som diferente
Quando os pássaros cantam ao sol nascente.

terça-feira, 24 de junho de 2025

Irreal

Dê-me notícias suas.
Preciso saber sobre você
Pois, sumiste tão de repente
Logo agora que me acostumaria
com sua presença.

Foste um cometa
E enquanto passavas
Eu te admirava 
E me encantava 
Com a beleza que vem de ti.

E de repente foste,
Passaste
sem prelúdio. 

E fico os meus dias
Tentando entender:
O que eu fiz? 

Deveras deveria ter-te feito o pedido.

Puxei na memória, 
Não há recordações.
Olhei dentro do coração,
Parece que nunca estivestes lá.
Visitei os locais dos nossos encontros,
Ninguém sequer ouviu falar de ti.

Talvez foste um sonho
Tão real, tão lindo
Tão vivo, tão pujante
Tão aqui, tão distante.

domingo, 23 de março de 2025

Som da chuva

É nítido
o som 
da chuva caindo.

O coaxar dos sapos
O cricrilar dos grilos
As gotas tintilando
Nas telhas de amianto.

Os trovões a ribombar 
Ecoam no firmamento
As folhas a farfalhar
Bailando com o vento.

Cada barulho distinto
Forma o som
da chuva caindo.

Chuva Tucuju

Sentirei saudades dessa chuva tucuju.

Chuva que ameniza o calor
Chuva que traz esperança de um futuro melhor
Chuva de cultura, que marca nossa gente
Chuva que vem e vai, assim de repente.

Chuva que banha toda a cidade
Chuva que alegra as crianças de todas as idades
Que correm e se divertem
Brincando alegres e contentes.

Aqui  a chuva é diferente
Um misto de saudade
Que bate com vontade
Nos corações eternamente.

A chuva cai
E sua marca fica
Nas telhas e trincas
Até que se esvai.

Sentirei saudades, dessa chuva, incomum.

Pois quando estiver longe
E a chuva vier outra vez
Saberei que aqui foi aonde
Meu encanto pela chuva se fez.

domingo, 16 de março de 2025

Ciclo do Tempo

O tempo completa mais um ciclo 
De realizações,
De momentos,
De emoções 
E sentimentos.

Conforme roda 
A roda do tempo
O tempo nos mostra
Que ele avança sem parar.

Percebe-se isso 
Às vezes, de maneira sutil
Às vezes, de maneira abrupta.

O tempo segue adiante
Mas deixa-nos a nostalgia, 
que por sua vez,
Nos lembra de um tempo distante.

E o perigo disso é querer voltar
Para um tempo que se foi
E por conta da nostalgia
Esquecemo-nos o porquê não existe mais.

Esquecemos que ainda há tempo
O presente está aqui
E o futuro podemos construir.

Portanto, seja atemporal 
Infinito 
E presente.

O tempo começa agora
Enquanto ainda há tempo
Quer seja um momento,
Quer seja, não obstante, 
Um instante. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Chuva do momento

O silêncio à noite adentra.
E eu sozinho
com meus pensamentos.

Por entre os ventos,
lá vem a chuva
compondo a sinfonia das gotas.

E molha a terra,
que exala o aroma
de nostalgia e paz.

O som da chuva,
junto com o vento,
rima com saudade.

A nuvem forma a gota,
que toca a folha
e deságua no solo.

No meio do nada
só ouço o som
da chuva que cai.

Uma orquestra 
de um só
instrumento.

Regida
em perfeita 
sincronia.

Neste momento,
no decair da chuva, 
não existe o amanhã,

nem angústia.
Somente o instante
silêncio.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Cometa

Estou apaixonado de certa
forma, como nunca antes amei
Como nunca depois amarei.

Amar é como um cometa
Que de tempos cruza a Terra
E causa uma ruptura

Um êxtase do desconhecido, da aventura.
E quando em sua órbita avança
Deixa somente a lembrança

Fica um rastro de saudade
e a vontade 
de parar o tempo

e ter aproveitado o momento.
Pois tudo é passageiro.
O cometa é ligeiro.

Desaponto

Enquanto fico na janela
Espero a chuva cair.
Ouço o canto do bem-te-vi
voando na passarela.

No rádio toca uma canção
No copo, um café quente.
O trem anuncia veemente
a sua chegada na estação.

O silêncio do meu agrado
cede espaço
ao canto dos pássaros.

Que voam sob o céu nublado
anunciando a chuva que vem
por sobre os vagões do trem.

As árvores balançam-se com o vento
Pra lá e pra cá
Enquanto, nesse momento,
eu espero a chuva arriar.

Mas a chuva não veio
O café esfriou
O bem-te-vi se foi
E a canção terminou.

domingo, 29 de setembro de 2024

Amores

Existem vários tipos de amores
Amores para todos gostos e jeitos
Amores eternos, amores passageiros
Amores que ficam, amores que vão.

Amor marcante,
Ora passageiro,
Ora verdadeiro.

Amor de instante,
Amor distante,
Amor constante.

Amor platônico,
Amor icônico,
Amor Napoleônico.

Amor falso,
Amor descalço,
Amor fácil.

Amor confuso,
Amor incerto,
Amor incomum. 

Amor forçado, 
Amor animado,
Amor amado.

Amor racional, 
Amor sentimental,
Amor animal.

Existe vários tipos de amor
Que ama do seu jeito
Do ponto de vista do amador
Quiçá seja amor verdadeiro.

terça-feira, 13 de agosto de 2024

Enleio

Carlos Drummond de Andrade

Que é que vou dizer a você?
Não estudei ainda o código
de amor.

Inventar, não posso.
Falar, não sei.
Balbuciar, não ouso.

Fico de olhos baixos
espiando, no chão, a formiga.

Você sentada na cadeira de palhinha.
Se ao menos você ficasse aí nessa posição
perfeitamente imóvel, como está, 
uns quinze anos (só isso)
Então eu diria: 
Eu te amo.

Por enquanto sou apenas o menino
diante da mulher que não percebe nada.

Será que você não entende, será que você é burra?

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Dias

Tem dias que sou sol
Tem dias que sou chuva
Tem dias que sou mar
Tem dias que sou deserto. 

Tem dias que sou certo 
Tem dias que me permito errar
Tem dias que a noite é escura
Tem dias que a lua é meu farol.

Tem dias e dias
E dia após dia 
Vão-se os anos,

Os planos,
As alegrias
E a poesia.

terça-feira, 25 de junho de 2024

Cíclico

Conforme o tempo avança
O ciclo fica cada vez menor
O tempo, cada vez mais valioso
A paz, cada vez mais necessária
Momentos, cada vez mais importantes
Processos, cada vez mais vividos
Amar, cada vez mais preciso.

Conforme o tempo vai
As lembranças vão com ele
A saudade aumenta
Os arrependimentos surgem
Os prazos se esgotam
E tudo vem a tona.

E quando temos todo
O tempo do mundo
Num segundo
Foi-se todo o tempo.

Quando se é jovem
O amanhã é voluntário
E quando se é velho 
O ontem é necessário. 

E passa-se o tempo
Num passatempo
Que há muito tempo espaça. 

Conforme a poesia avança
Os versos se tornam frases
As frases se unem em estrofes
Que se completam em rima.

E verso após verso
A poesia chega ao fim,
Outrossim. 

quinta-feira, 2 de maio de 2024

Lembrança composta

Então foi assim
Numa noite quente
Que resolvi escrever
um livro.

Ainda não sei o porquê
Nem o objetivo
A ideia foi de repente
eu apenas disse sim.

Eu poderia escrever tanto
Sobre tudo e todos
Histórias e contos
Pintadas de verdes e louros.

Escreveria sobre memórias
Sobre viagem
Sobre amores.

Contaria nossas histórias
para aqueles senhores
que boas histórias nos trazem.

Falaria da lua
Das estrelas e do mar
Falaria até encontrar
uma boa lembrança sua.

E que boas lembranças eu tenho.

Lembro do teu sorriso
Lembro do teu olhar
Lembro do teu cabelo liso
Lembro de te amar.

Lembro porque é preciso
Lembro para recordar
Embora já tenho dito
É um prazer te amar.

Também lembrei que um dia
Sobre o futuro eu escrevia
Eu quis chegar onde cheguei
E futuramente sobre isso escreverei.

Mas enquanto é presente
Se permita viver
Porque só vive quem sente
Que presente não é sobre ter.

É sobre ser.

sexta-feira, 29 de março de 2024

Imaginar o infinito

Olho para o céu 
Palco das estrelas 
Contemplo o passado
Imaginando um futuro.

Olho para o horizonte sem fim
E vejo só o que a vista alcança
Todavia, além disso existe algo
Que só se vê com a perseverança.

Olho para o mar
As ondas indo e vindo
O vento a soprar
Traz meus sonhos consigo.

Olho isso tudo
Estrelas, horizonte e o mar
Espero no futuro
Mais um vez isso imaginar.

domingo, 17 de março de 2024

Lua Bela

A lua tá linda
Clara, iluminada e bela
Daqui da janela
A lua me ilumina.

Enquanto lá fora
Os carros vem e vão
Sem perceberem que bela
a lua está hoje.
Tão clara, tão limpa, tão serena
Majestosa.
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Cecília Meireles