domingo, 24 de maio de 2026

Autopsicografia

Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. 

E os que lêem o que escreve
Na dor lida sentem bem
Não as duas que ele teve
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Sobre o Autor:
Charles Vale Ramos Júnior tem 33 anos, além de escrever poesias é apaixonado por Informática e Basquete. Um dia resolveu criar este blog para compartilhar seus versos e outras coisas mais.

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Cecília Meireles